David Carson e a L’Officiel


David Carson começou a trabalhar com revistas e ao interpretar os artigos para realizar o design editorial, ele esbarrava com um problema comum à todos. Como todo designer, ele sofria criticas sobre normas na produção editorial.

as pessoas me diziam não faça isso… não vá por aí… e eu passei a me perguntar porque não?!

Acontece que nenhum cliente é um artista quando se depara com uma folha em branco na sua frente! Ninguém consegue criar nada a partir do zero; com aquele papel branco desafiando a criatividade. Mas depois que os primeiros esboços aparecem, todos passam a ter opinião sobre cores, formas e até conceitos escondidos surgem como justificativas para alterações impositivas: O pior e último argumento é o “quem está pagando? sou eu?? então mude para amarelo!”
E como todo designer ele também era indulgente e tolerante com tais dogmas gráficos como legibilidade, por exemplo… ou o alinhamento blocado da escola americana de design!
Aprenda isso de uma vez por todas:

Todo designer, no fundo de sua vaidade pessoal, têm sempre um desprezo impessoal pelo próprio designer

Os seus trabalhos, que ganharam destaque na década de 1990, anteciparam a propria comunicação que a procedeu em seguida. A propaganda passou a usar as sensações como pilar para as suas mensagens. Todo os recursos e meios estão, cada vez mais, saindo do tecnismo e entrando na era das sensações e isso já acontece há anos; não é nenhum trend topic visionário para se palestrar.

As letras e o conjunto delas (as palavras), passaram a ser mais pessoais e subjetivas. O próprio intuito de definir quem você é como pessoa e colocar isso no seu trabalho, em forma de letra e composição visual, passou a definir as chamadas assinaturas e o reconhecimento de trabalhos autorais. Isso é facilmente percebido quando as pessoas começaram a identificar os autores de cada produção. Sendo assim, além do profissional de design editorial, por exemplo, imprimir a sua personalidade, os outros (leitores, outros profissionais, contratantes…) diriam: “ahh.. esse trabalho é de tal pessoa”

Agora feche os olhos e pense numa mídia centenária como o jornal. Identifiquem o seu design, sua composição, colunas, fluxo da informação, apresentação.. enfim, leia o jornal. Você não irá encontrar nenhum trabalho autoral (ou quase nenhum para não ser injusto). Em nenhum momento você identifica “Olha esse trabalho é a cara do tal…”.

E essa impessoalidade não deve aparecer com outras mídias como revista, por exemplo. Muito menos as digitais que permitem a customização para fins sociais, mesmo que limitadas.

Eu vou falar mais um pouco sobre essa apatia dos jornais num post futuro e ainda vou mostrar o que eu quero dizer… em breve colocarei um link aqui.

Existe uma verdade inerente à toda forma de arte (ou que faz uso dela), no que se refere às influências de outros artistas. Isso acontece até que os novos artistas encontrem a sua linguagem própria e, em alguns momentos, passam a influenciar outras pessoas. David Carson é uma dessas influências, mas isso nem sempre é bom!

Certa vez eu escutei uma frase que se tornou celebre para mim. Ela dizia: David Carson faz mal ao estagiário. O que reflete a má influência que isso pode gerar.
Veja o exemplo a seguir; o que o torna mais relevante é que a má influência do desconstrutivismo de Carson se deu por alguém que não é estagiário nessa publicação. E mais: alguém aprovou isso!

Lofficiel+Brasil+Agosto2013+Shirley+Mallmann

Meter-se pelos espaçamentos irregulares com letras invertidas, distorções, quebras e ruídos; sobre posições e ainda a comunicação como parte integrante daquele mix de sensações citados no inicio; a minha interpretação e proposta de capa seria essa:

capa1

e outra opção mais ousada ainda:capa2

Um pouco mais. Além de David Carson e ainda sobre o descontrutuvismo tipográfico posso citar também Thomas Schostok.

Há também um estudo de redesign da capa da vogue, após o jump.

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Uma resposta para “David Carson e a L’Officiel

  1. Pingback: Jornal pode ser criativo… | Luciano Negreiros·

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