A mutação genética que deu origem à cultura digital


Pensar o passado para compreender o presente e idealizar o futuro

Essa frase é de Heródoto, um geógrafo e historiador grego e fundamenta todo e qualquer estudo da história como ciência. A história do homem moderno, em particular, começa há 50 mil anos atrás com a própria segregação da espécie na Africa Oriental. Tenha em mente que esse período corresponde à uma história recente, em termos evolutivos.

Muitos cientistas acreditam que essa segregação foi responsável pelo surgimento do que eles chamam de raças. O homem saiu do Sol escaldante da savana africana e a pele perdeu seus pigmentos, essa proteção natural contra raios ultravioletas do Sol. Assim, ao migrar para o Norte, essa proteção bloqueava muita luz, desaparecendo. Surgiam os caucasianos e as peles claras para reverter a falta de vitamina D.

Essas características permaneceram na Europa e no Oriente. Enquanto as migrações para as Américas e Índia, a cor permanecia escura. É de conhecimento da comunidade científica que essas diferenças raciais poderiam evoluir de forma diferentes, originando comportamentos e até raciocínio diferentes. Ou seja, os cérebros seriam diferentes.

Mas isso não aconteceu; e porquê?

Foi da capacidade do ser-humano em se adaptar? Não! Foi da miscigenação da espécie, o que garante a sobrevivência da mesma. Teorias evolutivas explicam isso muito bem, como reprodução sexuada e a mistura de genes, mutações controladas à passos lentos que nos protegem de epidemias e ondas mortais da seleção natural.

O próprio Charles Darwin está sendo questionado quando ele se refere ao costumes e a cultura como empecilhos para a evolução humana. O que se mostra é que diferentes culturas em diferentes partes do mundo alteram, sim, a nossa genética. Compare os crânios dos orientais e europeus!

Isso levou o homem à um patamar de adaptabilidade invejável. E tudo isso tem uma origem: DNA. A mutação DRD4 é encontrada em populações que vivem fora da África e foi considerada a causadora da migração dos homens. Ela é chamada de “gene da migração” pois cria a disponibilidade de mover-se à grandes distancias. Ela também provoca movimentos rápidos e mudanças constantes de foco de atenção.

Esse comportamento foi essencial para a nossa sobrevivência… só que há 50 mil anos, não hoje.

Quando dizem que a tecnologia digital é uma força que modifica o indivíduo e o seu ambiente, acredite! Essa força é muito mais transformadora do que você imagina. O déficit de atenção hoje é tratado com drogas e identificado como uma patologia da sociedade moderna. A mudança de foco de atenção hoje é alimentada pelo bombardeio de estímulos que temos hoje em dia. Fica cada vez mais difícil nos concentrarmos em alguma coisa. E isso altera o modo como nós lidamos com o tempo.

A nossa percepção de tempo mudou tanto nos últimos anos, dentro dessa nossa evolução recente, que sentimos a falta de tempo para tudo o que fazemos. A relação com o tempo se torna problemática, e a medida que seguimos adiante para conquistar coisas e ‘vencer na vida’, o tempo parece carecer das mesmas vontades.

Isso acontece com a maioria de nós, que vivemos para o futuro. E isso envolve trabalho, muito trabalho! Mesmo que a geografia interfira nessa relação com o tempo (como a segregação causada pela migração na origem do homem moderno), a orientação para o futuro predomina. Não acredita em mim; leia “Geography of time” de Robert V. Levine.

A sociedade digital que se auto-alimenta a cada segundo que passa, está pondo em check tudo o que foi escrito como dogma no aprendizado acadêmico e nas relações com a própria sociedade. O que significa segundos na computação, por exemplo? Cada vez mais esses indivíduos lidam com o tempo de forma extremista. Menos tempo para tudo, e mais tempo para outras coisas.

É por isso que ficamos raivosos quando um computador leva 50 segundos para dar boot!

Somos tão multifacetados, que enquanto o computador dá boot, estamos almoçando na frente do computador. Essa constante economia de segundos na computação, internet, midias sociais – e uma força que fazemos para otimizar o tempo – acrescente a nossa predisposição para migrar. Saimos do orkut para o facebook num piscar de olhos! Queremos templates responsivos, arquitetura de informação e layouts minimalistas e flats para diminuir a curva de aprendizado. E isso serve para tudo. Tudo mesmo!

Agora responda essa pergunta: Quanto tempo você gasta para aprender um novo app antes de desistir por falta de entendimento? Segundos! Se eu baixei um app que eu não o compreenda em 15 segundos… eu apago e digo que não gostei! Já fico feliz que você tenha chego até aqui, nesse texto longo!

Tempo e migração. Pense nisso para os seus próximos projetos, mas não pense muito, afinal você vai precisar de tempo para desenvolve-lo.

P.S.:

Temos que entender que as novas gerações estão aqui para mudar os paradigmas. E a forma como lidamos com o tempo. Vou contar só mais uma estorinha para você entender de uma vez por todas: meu filho tem 3 anos, ele navega pelo iPad, abre o youtube, entra nos favoritos dele! e escolhe um vídeo. Se o vídeo não carregar, ou se o streaming ‘pedir’ mais alguns segundos para o play, ele fica bravo. E um ‘bravo’ de bater na tela e me dizer com ares de frustração: ‘não tá funcionando’.

Essa é a geração dos processadores quânticos! da consciência coletiva pela tecnologia e da superação do processamento artificial; e espero viver o tempo suficiente para ver isso acontecer.

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